quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
As Pessoas – Lar ( J.D. Stella)
Existe por certo todo tipo de pessoa com quem nos deparamos no nosso caminhar: existem as ‘pessoas – riso’, as ‘pessoas – vamos’, as ‘pessoas – desafio’, as ‘pessoas - deixa-pra-lá’.
Pessoas cuja energia influenciam a nossa de modo que, quando com elas estamos, ‘deixamos pra lá’, ‘vamos’ – que são as companheiras de todas as horas – ou abandonamos o barco quando elas tornam o ambiente comum ‘desafiador’ demais para o nosso ph natural. Aprender a fluir – ou a fugir – dessas pessoas faz parte dos aprendizados da 3D, e eu tenho certeza que você e eu faríamos juntos, agora mesmo, uma lista imensa dos tipos de pessoas que aprendemos a conhecer até este ponto da nossa existência.
Mas minha inspiração para escrever esse texto foi para falar de um tipo de pessoa que você deve aprender a identificar, e então, meu amigo, minha amiga, jamais soltar: as Pessoas – Lar. Não importa se você já tem uma enorme família, muitos amigos, tem uma rede de apoio social, faz parte de um clube ou é um ET consciente acostumado à solidão da Terra; todos nós um dia encontramos alguém, uma pessoa cujos olhos parecem lanternas na viela escura, cuja voz nos conforta e as mãos quando nos tocam afastam toda dor.
Todos nós, em algum momentos da nossa caminhada, encontramos alguém que tem cheiro de fogo aceso e roupa de cama limpa. Alguém que nos leva para um oásis temporário enquanto estamos em sua presença. Se você tiver muita sorte conhecerá mais de uma na sua vida, e com cada uma delas experimentará o alívio de por alguns instantes não ser mais um morador de rua emocional, pois essas pessoas têm o dom de se fazer lar quando estamos em sua companhia. Uma pessoa lar pode ser reconhecida por algumas características:
Os chuveiros ficam nos olhos, e gotejam sempre que alguém lhes toca a campainha, que fica na altura do coração;
Os braços são perfeitos corrimões onde nos escoramos quando as dores nos fazem fraquejar;
O peito é solidamente pavimentado para nos reconduzir de volta à rota do nosso próprio caminho;
Os lábios obedecem ao aparelho auditivo e ao digestivo, de modo que elas só falam após terem devidamente digerido tudo aquilo que você desabafou – elas não são de jogar palavras ao vento!
Uma pessoa-lar tem as janelas da alma sempre abertas para se autoventilar, assim, se você olhar com atenção, poderá observar que seu interior é decorado com memórias indescritíveis, e a todos os cômodos só se tem acesso mediante a biometria dos entes queridos;
As pessoas-lar têm sempre uma cozinha ativa e funcional, onde elas preparam palavras no ponto certo para te oferecer;
Toda pessoa-lar tem uma presença altamente nutritiva e higienizadora. Você sempre se sente menos faminto e empoeirado quando está na presença delas;
Todos querem ter em sua vida uma Pessoa – Lar, mesmo aqueles de espírito aventureiro e que se orgulham de serem intrépidos, ousados e desgarrados, pois mesmo elas, em algum momento, precisarão de uma Pessoa – Pousada para passar um tempo recuperando suas forças e renovando a aridez do seu espírito. Como todo patrimônio, porém, as Pessoas – Lar também precisam de manutenção.
Nunca deixe passar o prazo de acertar suas contas com ela. Contas ignoradas gerarão corte no fornecimento de água e luz – emoção e calor. Lembre-se que restabelecer o suprimento das funções me uma casa sempre dá mais trabalho do que manter a pontualidade nos pagamentos.
As Pessoas – Lar, como todo Lar – precisam de manutenção: reserve um tempo para que a pessoa-lar usufrua de silêncio e repouso para que ela possa se regenerar e gerenciar a si mesma, cuidando da sua pintura, do seu gramado, trocando o óleo das suas dobradiças... Respeite os momentos de autocuidado das suas pessoas-lar;
Sobretudo jamais invada sua privacidade: não force as maçanetas que não se abrirem naturalmente para você;
Demonstre seu amor com pequenos mimos: um capacho novo para a entrada, um novo jogo de toalhas, uma pintura para a sala de estar ou um enfeite para o corredor: são pequenos sinais de que você é ali também um morador e não um hóspede de passagem.
Por fim, se você for uma Pessoa – Lar, não fique triste com o descaso e o abandono daqueles que você gostaria que tivessem ficado para sempre. Eles não podiam ficar porque ainda não estavam prontos para aprender que um lar não é uma prisão, mas sim o trampolim seguro que os lança em busca da própria libertação. Outros inquilinos tomarão seus lugares, manterão as contas em dia e cuidarão das suas paredes com o mesmo carinho que buscam encontrar.
Você, pessoa-lar, encontrará outros da sua espécie, e juntos formarão uma comunidade, uma vila, quem sabe uma cidade inteira feita só de pessoas que sabem que a casa pode também ser sua, que Gaia também é nosso lar e que o Coração do Outro sempre será um templo para o Amor adorar. JD Stella 15 de fevereiro de 2018
[Texto inédito – publicação autorizada em primeira mão para o blog do Programa Tocando o Oculto]
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
A geração do mundo novo
O
velho mundo sólido de décadas passadas desaba entre nós dando lugar a uma
grande fluidez, ausência de forma definida, velocidade, mobilidade e
inconsistência. Onde estamos? Bem-vindo então a modernidade, mais conhecida
como mundo liquido.
A
antiga confiança “sólida” num futuro perfeitamente arquitetado pela razão foi
substituída pela incerteza. O futuro tornou-se nebuloso e indefinido. As
“utopias negativas” criaram raízes.
Com
essa liquidez absoluta todo e qualquer produto pode ser descartado ou se tornar
obsoleto num piscar de olhos.
Preocupante
para empresas que devem sempre inovar seus produtos, pros funcionários que
podem ser desligados da empresa a qualquer momento.
Indo
para o espectro da afetividade, os amores se tornam virtuais e passageiros.
Estamos presenciando um momento onde se
comemorar aniversário de casamento será um prêmio de resistência afetiva.
Nesta
modernidade líquida o lema é ser o momento, o agora, nada de planos para o
futuro já que ele é incerto. Ela é pouco apegada aos seus antecedentes, é
obcecada pela novidade: a nova notícia, a nova promoção, o novo carro, a nova
rede social. Os laços que uniam os homens são rompidos dando lugar a um tempo
presente constante.
Era de grandes tecnologias e pouca
humanidade.
Fredi
Jon – (Serenata & Cia)
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
A serenata desafiando as relações virtuais do século XXI
Se pensarmos em
algo realmente valioso com um conteúdo rico, isso estará ligado com certeza às
emoções e sentimentos.... Por esse prisma, sabemos que ela com sua forma
agregadora e libertadora, traz aos corações moradores de grandes metrópoles, a
quebra das barreiras que isolam os seres humanos uns dos outros, também a forma
fria quase robótica de interagirem, distantes do calor do olhar, do palpitar
dos corações se emocionando por pequenas coisas que a vida nos dá de graça como
presente todos os dias. A música em todas as suas épocas, desde tempos remotos
à sua existência, traz os acordes do romance, acordando emoções e sentimentos
adormecidos numa linguagem universalmente entendível, sem distinção de sexo,
credo, idade, cor, raça ou nacionalidade.
Transpor a
realidade dos sentimentos é tarefa nobre e nada melhor do que oferecer uma Seresta
como demonstração de todo afeto que se possa expressar... As serenatas resistem
aos tempos e hoje são porta vozes de todo o tipo de público e enredo.
Interessante perceber as diferentes maneiras de se falar de amor aos moldes de
antigamente, mas com roupagem tecnológica.
O visual propriamente dito
remete-nos aos anos 20 e 30 mas a maneira de capturar toda essa emoção já está
nos pendrives, notebooks, tablets e celulares do século XXI. Assim o grupo
Serenata & Cia, conhecido por levar serenatas à todos os ambientes
(corporativo e social) descreve parte deste universo pouco conhecido, mas muito
vivenciado das intimidades paulistas. Fredi Jon, responsável pelo grupo diz
que, na visão do cliente, a urgência em atingir logo o objetivo sentimental
soma-se hoje a criatividade e a possibilidade de um grupo de seresteiros serem
porta-vozes de seu desespero. Se o contratante estiver presente, mas escondido
ou não, fica fácil identificar os resultados de sua ação, caso esteja ausente
sempre haverá um “cumplice do coração” para poder lhe enviar depois um arquivo
digital de uma emoção real.
Uma cidade grande esconde muitos corações
solitários e cada vez mais ausentes de sí e do outro também.
Envelhecer na
cidade significa perder as antigas referencias de lugares, pessoas e histórias
vivenciadas por conta do dinamismo arquitetônico que caminha sempre em passos
largos e definidos. O coração e o progresso sempre estão num descompasso muito evidente
diante as opiniões de diferentes gerações. Resta agora aguardar o que a nova
geração pode fazer com esse abismo que cresce entre uma relação amorosa de fato
e as virtuais. A tecnologia, por um lado pode manter os jovens ocupados com
robôs sexuais, ações virtuais eróticas em 3D e muitas novidades que o mercado
do sexo digital está preparando, mas por outro lado ajuda manter essa memória
afetiva que a serenata pode resgatar e multiplica isso em números infinitos
diante às mídias sociais.
A serenata por sí só cria elos através da música e
parentescos quase surreais por conta dos resultados. São pessoas oferecendo aos
músicos da serenata: dormitórios e refeições, suas histórias mais íntimas e
impactantes, suas estranhas realidades e suas maiores ilusões e desilusões
também. Algumas das frases de Fredi Jon neste universo das serenatas são: “É
incrível perceber como as pessoas precisam de música, de serem ouvidas, de
serem entendidas e principalmente de serem amadas. ” “A função da serenata é
fazer essa fusão entre os sentimentos a serem resgatados, ou intensificados e a
música sendo sua trilha sonora. ” “O preço da emoção é a condição de se expor e
mostrar que tudo depende de quanto se acredita no amor pra sair da matrix
emocional. ”
Fredi Jon -
Serenata & Cia
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